Ferramenta Capí, da Ambiental Media, tira dúvidas sobre a mudança climática com rigor científico e recursos de IA

(Reprodução do chatbot Capí, criado pela Ambienta Media para responder perguntas sobre o meio ambiente e o clima)
https://capi.ambiental.media/)

Atenta à disseminação de conteúdos intencionalmente falsos e distorcidos, como, por exemplo, os que dizem que o aquecimento global não tem sido causado pela ação humana e que cientistas exageram sobre a intensidade da mudança climática e a urgência de medidas mitigadoras, no ano passado a Comissão Europeia – o órgão executivo da União Europeia – adotou uma política de comunicação voltada a combater este tipo de desinformação.

Alinhado ao rigor científico, e portanto, aos fatos relacionados com o clima e o meio ambiente, o site jornalístico Ambiental Media desenvolveu o chatbot Capí, um programa de computador baseado em Inteligência Artificial (IA) que responde, por texto, perguntas a partir de evidências factuais.

A ferramenta é um dos cinco projetos selecionados pelo Codesinfo – Fundo de Inovação Contra a Desinformação, um projeto realizado pelo Projor com o patrocínio da Google News Initiative para apoiar soluções tecnológicas inovadoras e de código aberto para combater a desinformação.

Lançado no segundo semestre de 2024, em sua fase atual o projeto promove a divulgação das ferramentas apoiadas para estimular sua adoção por veículos brasileiros e de outros países.

O nome Capí – diminutivo de capivara – faz uma homenagem bem-humorada à maior espécie de mamífero roedor nativa do continente sul-americano.

Para construir a ferramenta, a Ambiental Media organizou dois grupos focais online com professores do ensino médio. No primeiro, buscou entender as demandas e como a tecnologia poderia ser utilizada em sala de aula. No segundo, realizou testes com um protótipo funcional, durante os quais os participantes puderam avaliar a ferramenta.

“Acreditamos que a Capí é hoje uma ferramenta redonda como um projeto beta”, diz Thiago Medaglia, diretor-executivo da Ambiental Media. Segundo ele, a ferramenta deve ser pensada como um produto, e não apenas um projeto.

“Pensá-la como um produto inclui montar uma loja de dados, investir na disseminação do uso da ferramenta, engajar a comunidade do jornalismo científico e agregar mais recursos de IA, como a análise de dados espaciais”, diz Medaglia.

Segundo Miguel Vilela, editor da Ambiental Media, no ambiente escolar, por exemplo, a Capí poderia ser utilizada no ensino médio e superior em atividades de pesquisa. “Nas redações jornalísticas, a Capí poderia ser utilizada em pautas e também como um recurso de checagem”, diz Vilela.

A própria Capí também poderia ser autora de matérias jornalísticas sobre temas ambientais e mudanças climáticas.

Um bom exemplo da capacidade de disseminação de conhecimento científico da Capí para um público mais amplo é o e-book Meio Ambiente e Sustentabilidade com o Chatbot Capí, produzido pelo programa de Mestrado Profissional em Novas Tecnologias Digitais na Educação, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).

Os “dois cérebros” da Capí

Em termos tecnológicos, a ferramenta é um chatbot, ou seja, um software que simula uma conversa com um usuário, que faz perguntas por texto numa caixa de diálogo.

Segundo Vilela, é como se a ferramenta tivesse “dois cérebros”: “um é o sistema RAG (Retrieval Augmented Generation), do Google, e o outro, o nosso banco de fontes”.

O sistema RAG, de IA, é operado na nuvem (recursos computacionais via internet), combinando sistemas de recuperação de informações com grandes modelos de linguagem (LLM) para criar respostas mais precisas e relevantes. No caso da Capí, o modelo utilizado é o Gemini, do Google.

Já o banco de fontes é alimentado pelas reportagens da própria Ambiental, além de estudos e relatórios publicados por instituições líderes nos campos ambiental e climático, como o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Reunindo cientistas de todo o planeta, o IPCC foi fundado em 1988 como um órgão ligado simultaneamente à Organização Mundial de Meteorologia (WMO) e ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep).

As fontes brasileiras incluem o Observatório do Clima e a Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES), um grupo de trabalho de cientistas brasileiros focado em estudos ambientais.

O banco de dados da Capí conta com cerca de 40 artigos, entre os quais estudos científicos com centenas de páginas.

A partir da operação conjunta do sistema de IA e de seu banco de fontes, a ferramenta está habilitada a responder uma série de perguntas complexas de forma clara e objetiva.

O próprio site oferece uma lista de quinze questões, que inclui, por exemplo, “o que acontece se a Amazônia for destruída?”

Resposta: “Se a Amazônia for destruída, as consequências serão devastadoras para o Brasil e para o mundo.”

Após esta afirmação introdutória, a Capí elabora sobre o virtual impacto da destruição da maior floresta tropical do mundo em termos ambientais, sociais e para a saúde humana.

No quesito ambiental, parte da resposta diz que a “Amazônia desempenha um papel crucial na regulação do clima global. A floresta absorve grandes quantidades de dióxido de carbono e libera oxigênio. Se a floresta for destruída, esses processos serão interrompidos, o que levará a um aumento nas emissões de gases de efeito estufa e ao agravamento das mudanças climáticas.”

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