Pai de arquiteto morto após atropelar assaltante também foi assassinado a tiros

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BARBARA MARQUES E ISABELLA MENON
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O arquiteto Jefferson Dias Aguiar, de 43 anos, morto com um tiro no pescoço na tarde de terça-feira (1º), perdeu o pai aos 7 anos também vítima da violência. Ele era o mais velho de três filhos e foi criado no bairro Jardim São Luís, na zona sul de São Paulo, onde vendia pão de bicicleta para ajudar a família e custear os estudos.

Assim como o pai, o arquiteto foi morto com três tiros. Jefferson foi baleado por um criminoso após tentar defender uma mulher vítima de assalto na marginal Pinheiros, no Butantã, zona oeste. “Ele era o certo pelo certo. Não suportava injustiça”, diz Carlos Vasconcelos Barbosa, cunhado de Jefferson, que o conheceu na infância, quando eram vizinhos.

O arquiteto se casou com uma professora, que conheceu por meio de amigos em comum, há cerca de um ano. Com o sonho de ser pai, se mudou do Morumbi com a esposa para o Jardim Paraíso três semanas atrás. O imóvel, segundo o cunhado, era maior e mais próximo do trabalho da mulher.

Apaixonado por arquitetura, Jefferson construiu a parte de cima da casa onde a mãe mora até hoje. O escritório dele fica na mesma comunidade onde diversos portões mostram cartazes de luto.

Um vizinho do antigo endereço do arquiteto o descreve como uma pessoa “nota mil”. Jefferson gostava de ciclismo, era acostumado a dar passeios de bike e fazer caminhada com a esposa no parque Ibirapuera. Ele gostava de reunir a família no apartamento para jantar e sempre levava um prato para o porteiro.

A esposa, segundo o morador ouvido pela Folha de S.Paulo, que preferiu não ser identificado, diz estar em choque. O casal completou um ano de casado recentemente.

Jefferson tinha um escritório de arquitetura no Jardim São Luís. Segundo suas redes sociais, ele se formou em arquitetura e urbanismo na Universidade Anhembi Morumbi. Desde 2015, tinha um escritório.

No site oficial, descrevia que o escritório foi criado no intuito de transformar e criar ambientes para responder às necessidades dos clientes por meio de uma “arquitetura personalizada que valoriza a identidade de cada um deles”.

Costumava postar fotos de suas viagens, como a ida a Tailândia, Chile e cidades no Brasil, como o Rio de Janeiro. Também mostrava andanças de bicicleta, cliques com amigos e familiares.

O arquiteto estava dentro do carro com um colega quando viu uma mulher sendo assaltada na rua Desembargador Armando Fairbanks. Imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas apontam que ele acelerou em direção ao criminoso, atingindo-o e fazendo com que ele caísse da moto.

A colisão ocorreu cerca 15 segundos após o assalto, a aproximadamente 60 metros de distância de onde a mulher foi abordada. O motociclista fugia pela calçada e foi atropelado na esquina do mesmo quarteirão onde havia acabado de fazer o assalto.

Um vídeo mostra que Aguiar abre a porta do carro logo após acertar o assaltante. O criminoso levanta rapidamente e aponta a arma contra o motorista do carro em seguida, antes que Aguiar conseguisse sair do carro. O arquiteto cai no asfalto já ferido.

A imagem também mostra que água do radiador do carro se espalhou pelo asfalto logo após a colisão. A moto usada no assalto ficou no local do crime, e o criminoso conseguiu fugir.

A recomendação para esses casos é não intervir e acionar a polícia. “Definitivamente o que a vítima fez não e recomendável, pois expôs risco a si mesmo sem ter ter o preparo nem a blindagem suficiente para intervir”, orienta o especialista em segurança pública Alan Fernandes, coronel da reserva da PM paulista.

O corpo de Jefferson será velado e enterrado nesta quinta-feira (3) em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.

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