Conselho Tutelar esclarece polêmica sobre vacinas

Nos últimos dias, a atuação do Conselho Tutelar de Criciúma, que tem notificado famílias sobre a vacinação contra a Covid-19, gerou intensos debates na cidade. A polêmica ganhou força após declarações do prefeito Vagner Espíndola, que criticou a obrigatoriedade da vacina e defendeu o direito das famílias de decidirem por si mesmas se vacinam ou não.

Em resposta, a vereadora Giovana Mondardo destacou que a situação envolve cerca de 300 famílias e que o tema não pode ser visto apenas sob uma perspectiva individual, mas sim como um grande desafio de saúde pública.

O Conselho Tutelar, por sua vez, realizou uma coletiva de imprensa para esclarecer a postura da instituição e as medidas adotadas diante da controvérsia.

Postura do Conselho Tutelar

Durante a coletiva, cada conselheira relatou que tem uma média de 100 notificações enviadas a pais cujos filhos não foram vacinados contra a Covid-19. Segundo elas, após a publicação do vídeo do prefeito, 17 famílias foram encaminhadas para prestar esclarecimentos ao Conselho Tutelar, mas apenas três compareceram.

O Conselho, que já conta com a assessoria de um advogado, anunciou que irá buscar apoio jurídico e acionar a Justiça e o Ministério Público para tratar das falas do prefeito, que consideram prejudiciais ao trabalho da instituição. As conselheiras também expressaram se sentir intimidadas e vulneráveis nas ruas devido à pressão que vêm enfrentando ao tentar garantir os direitos das crianças.

Em entrevista à Rádio Cidade em Dia, a conselheira Vanderléia Paes de Farias Alexandre comentou sobre os desafios enfrentados pela equipe do Conselho Tutelar. Ela ressaltou que o trabalho de notificação tem sido intensificado e que, apesar das dificuldades, a maioria dos casos é resolvida com a atualização das vacinas. Ela também afirmou que, ao contrário do que foi divulgado, não há nenhuma criança fora da escola em Criciúma devido à falta de vacinação.

“Nosso objetivo é garantir que todas as crianças tenham acesso à educação e à saúde. Não podemos tolher direitos para garantir outros. A vacinação é uma exigência legal, mas a educação também é um direito da criança”, disse a conselheira.

Em relação às famílias que ainda se recusam a vacinar seus filhos, as conselheiras explicaram que, após a notificação, tentam conscientizar os pais sobre a importância da vacina e as possíveis consequências legais de não cumprir a exigência. Os casos são encaminhados ao Ministério Público, e as medidas podem incluir advertências e ações judiciais.

Vanderléia também compartilhou a experiência de se sentir vulnerável e desrespeitada em algumas situações. “Temos recebido ameaças e até enfrentado situações de constrangimento nas ruas. É difícil quando o nosso trabalho é mal interpretado, especialmente em um tema tão delicado”, afirmou.

Preocupação com a exposição nas redes sociais

A conselheira também relatou episódios em que conselheiros foram expostos nas redes sociais, o que aumentou a pressão sobre a equipe. Em um dos casos, uma mãe filmou e divulgou o nome de uma conselheira, enquanto em outro, uma conselheira foi abordada por uma senhora na rua, questionando sobre o vídeo que estava circulando. “Nos sentimos desrespeitados, e essa exposição é prejudicial ao nosso trabalho, que é feito com o intuito de garantir o bem-estar das crianças”, explicou.

O papel do Conselho Tutelar e o ECA

Em relação às falas do prefeito, que questionou a eficácia científica da vacina, Vanderléia reiterou que a obrigatoriedade da vacinação é respaldada pelo Plano Nacional de Imunização (PNI) e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). “Quando a vacina é incluída no PNI, ela se torna obrigatória, assim como qualquer outra vacina. Nosso papel é garantir que as crianças estejam imunizadas, como determina a lei”, destacou a conselheira.

Próximos passos a serem tomados pelo Conselho Tutelar

O Conselho Tutelar, apesar das dificuldades enfrentadas, segue empenhado em esclarecer a população sobre a importância da vacinação. De acordo com Vanderléia, a equipe está estudando as medidas legais a serem tomadas após as declarações do prefeito. “Nosso foco é agir de forma responsável, estudando os próximos passos com cautela”, concluiu.

Famílias não compareceram para esclarecimentos

Durante a coletiva, também foi mencionado que, de aproximadamente 300 famílias notificadas, cerca de 17 estavam programadas para comparecer ao Conselho Tutelar para esclarecimentos, mas apenas três se apresentaram. A situação reflete a polarização do debate em torno da vacinação, que continua a dividir a opinião pública em Criciúma.

The post Conselho Tutelar esclarece polêmica sobre vacinas appeared first on SCTODODIA.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.