Emissões de títulos do Tesouro são ‘enfiar a cabeça na areia’, diz Arminio Fraga no BC

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FERNANDA BRIGATTI
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

“O ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga votou a dizer neste quarta-feira (2) que os “sintomas do paciente Brasil são extremamente preocupantes”, defendeu a necessidade de haver “sustentabilidade fiscal” e criticou a emissão de títulos do Tesouro Nacional de vencimento em 30 anos e que remuneram a variação da inflação mais 7%.

“Não dá para o Banco Central funcionar sem um apoio fiscal. O Banco Central não faz milagre”, disse Arminio, durante evento comemorativo dos 60 anos da autoridade monetária, na sede em Brasília (DF).

“Hoje o governo brasileiro toma dinheiro emprestado a 30 anos pagando IPCA mais 7,5% ou mais. Não é uma política cíclica que procura corrigir um desvio da inflação da meta, que leva tipicamente dois anos mundo afora. Não é isso, são 30 anos, isso não é viável, acho que a gente está enfiando a cabeça na areia e nós aqui no Banco Central a gente vai até um certo ponto, mas isso não é funcional.”

Mais cedo, os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Simone Tebet (Planejamento), Luiz Marinho (Trabalho e Emprego) e Ricardo Lewandowski (Justiça) estiveram no evento. Quando Arminio criticou as emissões de títulos, já tinham ido embora. “É só gente da casa ou tem gente de fora aqui? Só entre nós”, brincou o ex-BC.

Arminio defendeu que o “fundamento, a boa teoria econômica, [indicam que] é preciso que haja sustentabilidade fiscal. Nem o Banco Central consegue, milagre não faz.”

Nesta quarta, o Tesouro Direto negociava na modalidade “Tesouro IPCA+” títulos com vencimento entre 2029 e 2060 com remuneração que combina a inflação oficial e índices de 7,18% a 7,96%.

Em fevereiro deste ano, em outro evento, Arminio já havia dito que o cenário econômico do Brasil tinha sintomas de “paciente na UTI” e citou que os juros futuros estavam “na lua a perder de vista” e que a única área que pode ajudar a autoridade monetária é a política fiscal.

Fraga comandou o BC entre 1999 e 2002, no governo Fernando Henrique Cardoso.

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