Jovem aprendiz do Cras Paranoá, com deficiência visual, alcança aprovação em primeiro lugar em enfermagem na UnB

26 03 2025 15 56 08

Desde pequena, Roberta Dias de Lima aprendeu a enxergar o mundo além dos olhos. Aos 18 anos, a jovem aprendiz do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do Paranoá, que convive com uma deficiência visual, acaba de conquistar o primeiro lugar em enfermagem na Universidade de Brasília (UnB). Entre desafios, sua trajetória prova que a determinação encaminha jovens para lugares além do que os olhos podem ver.

“Conquistei a primeira posição no regime de cotas para pessoas com deficiência e estudantes de escola pública por meio do PASas [Programa de Avaliação Seriada] da UnB. Comecei a me preparar para as provas no primeiro ano do ensino médio. Naquela época, era mais fácil, pois não tinha uma rotina de trabalho, o que me permitiu dedicar mais tempo aos estudos”, conta Roberta.

Nos anos seguintes, a jovem relata que a conciliação entre trabalho e estudos tornou-se mais desafiadora. “Tive que estabelecer um cronograma: pela manhã, eu ia ao Cras, à tarde, assistia às aulas na escola e, em seguida, estudava inglês. À noite, intercalava o conteúdo escolar com as matérias do PASas, especialmente as obras do programa de avaliação seriada. Fiz tudo isso sem curso preparatório, apenas com o auxílio de videoaulas e uma apostila que comprei”, recorda.

A partir da nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ela afirma também ter conquistado bolsa integral para o curso de enfermagem por meio do Programa Universidade para Todos (Prouni).

“Quando recebi o resultado do PAS, gritei de alegria, quase sem acreditar. Minha mãe e eu comemoramos muito”, afirma Roberta, que mora com a mãe e um irmão mais novo no Paranoá. Natural de Curimatá, no Piauí, a família é beneficiária dos programas Bolsa Família e Cartão Prato Cheio.

Estudante de escola pública, Roberta menciona que recebia apoio na sala de recursos, mas, durante as aulas, precisava usar a lupa da câmera do celular para copiar o conteúdo do quadro, devido à baixa visão.

“Roberta é um exemplo brilhante de que a superação vai além das dificuldades”, destaca a secretária de Desenvolvimento Social, Ana Paula Marra. “Sua trajetória, marcada pela determinação e resiliência, nos ensina que as barreiras podem ser transformadas em pontes para o sucesso. A história da jovem nos inspira a fortalecer, cada vez mais, a política de desenvolvimento e assistência social promovida por este GDF, para que mais famílias, especialmente jovens mulheres, conquistem seus objetivos”, acrescenta.

Superação

A condição de Roberta é definida como visão monocular, quando pacientes apresentam dificuldades com noções de distância, profundidade e espaço. No caso da jovem, a deficiência foi adquirida quando a mãe contraiu toxoplasmose durante a gestação.

A estudante iniciou seu estágio no Cras do Paranoá no início de 2024 por meio do Programa Jovem Candango, promovido pelo Governo do Distrito Federal (GDF). A gerente da unidade e supervisora da jovem, Irvana Teixeira, destaca que a princípio foi um desafio orientar as atividades devido à baixa visão de Roberta. “No entanto, surpreendentemente, ela se adaptou muito rapidamente e desempenhou suas funções diárias com grande habilidade”, ressalta. “Roberta é uma menina inspiradora.”

Agora, a caloura da Universidade de Brasília se prepara para uma nova jornada acadêmica, despedindo-se do estágio no Cras devido à incompatibilidade de horários. “Já fiz minha matrícula e estou ansiosa pelo início das aulas, previsto para março”, afirma. Ela enxerga longe suas metas daqui para frente: “Meu principal objetivo nos próximos anos é trabalhar na área da estética e em outros setores da saúde”. Ao ser questionada sobre como resumiria sua trajetória de vida até aqui, ela declara: “Superação. E também encorajo pessoas como eu a nunca desistirem de seus sonhos”.

*Com informações da Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal (Sedes-DF)

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