Bancário que atropelou e matou cantor de pagode publicou vídeo em ‘resenha’ na piscina horas antes do acidente


Thiago Arruda Campos Rosas foi preso após atropelar e matar o cantor Adalto Mello em São Vicente (SP). O motorista tinha 20,5 vezes mais álcool no organismo do que o permitido por lei. Bancário que atropelou cantor publicou vídeo em ‘resenha’ na piscina horas antes
Thiago Arruda Campos Rosas, o motorista preso por atropelar e matar o cantor de pagode Adalto Mello enquanto dirigia embriagado, publicou um vídeo em uma festa na piscina horas antes do acidente em São Vicente, no litoral de São Paulo(assista acima).
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Adalto Mello, de 39 anos, pilotava uma motocicleta quando foi surpreendido pelo carro na Avenida Tupiniquins, no bairro Japuí. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e constatou a morte dele no local.
Pouco antes do acidente, Thiago publicou um vídeo que mostrava um grupo de homens em uma piscina em uma cobertura. “Aquela resenha de final de ano”, escreveu ele.
Thiago Arruda publicou imagem em piscina antes de atropelar o cantor de pagode
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De acordo com o boletim de ocorrência, Thiago “apresentava sinais claros de embriaguez com fala pastosa, olhos avermelhados e andar cambaleante” e realizou o teste do bafômetro. O resultado apontou 0,82 mg/l [miligrama de álcool por litro de ar expelido pelos pulmões].
Na ocasião, o condutor alegou aos policiais que a motocicleta surgiu repentinamente na frente dele. Thiago disse que não teve tempo hábil para desviar ou frear do automóvel de Adalto.
Família do cantor
Ao g1, Carla Vanessa de Mello Almeida, mãe de Adalto, lamentou que o filho tenha morrido por uma imprudência causada por embriaguez ao volante, uma vez que ele “abominava” bebida alcóolica.
“O homem que matou meu filho ficou o dia na piscina vermelha, piscina de sangue, piscina de maldição, de cachaça. Depois, ele pegou o carro e [o] atropelou. Ele não se preocupou, foi como se tivesse matado um cachorro”, afirmou a mulher de 62 anos.
Adalto Mello (à esq.) pilotava uma motocicleta e foi atingido por um carro conduzido por Thiago Arruda Campos Rosas (à dir.)
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Embriaguez
Thiago tinha 20,5 vezes mais álcool no organismo do que o permitido por lei, pois o teste do bafômetro deu 0,82 mg/l, um número 2050% acima do limite de 0,04 mg/l.
Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), 0,04 mg/L é a quantidade que o bafômetro pode tolerar sem penalização ao condutor. Acima desse valor, o motorista está sujeito a penas administrativas, como uma multa e a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) por 12 meses.
No entanto, se o resultado do teste for igual ou superior a 0,34 mg/l, como foi o caso de Thiago com 0,82 mg/l, o condutor deve ser processado criminalmente. De acordo com o CTB, a pena por dirigir embriagado é de seis meses a três anos de prisão, além da multa e suspensão ou cassação da CNH.
Adalto Mello, de 39 anos, (à esquerda) pilotava uma motocicleta e foi atingido por um carro conduzido por Thiago Arruda Campos Rosas, de 32, (à direita) em São Vicente (SP).
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Prisão
De acordo com o BO, Thiago praticou o crime estando com a capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool. A Polícia Civil decretou a prisão em flagrante que, de acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), foi convertida para preventiva durante audiência de custódia.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que o caso foi inicialmente registrado como homicídio culposo [sem intenção de matar] na direção de veículo automotor. No entanto, após os trabalhos de investigação, a natureza foi alterada para homicídio doloso com dolo eventual [quando se assume o risco de matar, apesar de não ter esse objetivo].
Também por meio de nota, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou ao g1 que Thiago deu entrada no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Praia Grande (SP), na última segunda-feira (30).
O caso
Vídeo mostra acidente de trânsito que matou cantor de pagode em São Vicente (SP)
As imagens de câmeras de monitoramento, que circulam nas redes sociais e foram obtidas pela equipe de reportagem, mostram o momento do acidente em diferentes ângulos (assista no vídeo acima). O motorista do carro ultrapassou um outro automóvel e atingiu Adalto, que foi arremessado.
Em nota, a SSP-SP informou que policiais militares foram acionados para atender a ocorrência e, no local, encontraram um carro batido contra uma árvore, além de uma motocicleta caída no chão.
Segundo o Corpo de Bombeiros, uma equipe foi acionada por meio da central de atendimento 193 e auxiliou os profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que chegaram antes e realizaram manobras de ressuscitação no cantor. A morte de Adalto foi constatada ainda no local.
Quem era Adalto?
Adalto Mello deixou a mãe e o filho de 10 anos
Arquivo pessoal
O cantor de pagode também era compositor e formado em Educação Física. Conforme apurado pelo g1, o músico era divorciado e morava com a mãe em Santos (SP). Ele deixou um filho de 10 anos, que era fruto do antigo casamento.
De acordo com a mãe do cantor, Carla Vanessa De Mello Almeida, o filho começou a se apaixonar por música ainda na infância, quando aprendeu a tocar cavaco ao ver o pai com o instrumento. “Aprendeu só de olhar, não fez curso”, disse Carla.
Com menos de 15 anos, ele entrou no coral de uma igreja e passou a cantar e escrever canções. Em seguida, passou a se apresentar em comércios e eventos com um grupo de pagode.
A mãe disse que o sonho dele era viver da música. “Não pelo dinheiro, sucesso, mas pelo amor que ele tinha”, relatou Carla, afirmando que tinha muito orgulho do talento do filho.
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