MST inicia ações do Abril Vermelho em MG e PE para pressionar Lula

ARTUR BÚRIGO E ITALO NOGUEIRA
BELO HORIZONTE, MG, E RIO DE JANEIRO, RJ 

O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) iniciou neste sábado (5) as invasões de terra do Abril Vermelho em Minas Gerais e Pernambuco. A mobilização tem como objetivo pressionar o governo Lula a acelerar a reforma agrária, avaliada como tímida pelo grupo.

Em Goiânia (PE), cerca de 800 famílias invadiram a Usina Santa Teresa. Em Frei Inocêncio (MG), 400 invadiram uma fazenda às margens da BR-116.

O ato em Minas Gerais vira também um teste para a ação do governador Romeu Zema (Novo), que no início da semana publicou um vídeo em que aparece com um boné com a escrita “abril verde”, em referência à mobilização do MST. A fala é parte da estratégia para se posicionar como opositor do presidente e pré-candidato à Presidência.

Ele também anunciou um novo modelo de policiamento rural que leva em conta o calendário agrícola e tem agentes especializados para a segurança do campo. Em outras ocasiões, Zema disse que o governo de Minas tem tolerância zero com invasores de terra.

Questionada, a Polícia Militar de Minas Gerais não respondeu se foi acionada para impedir a invasão em Frei Inocêncio. Em nota, o braço mineiro do MST já deu sinais de alerta em relação à atuação do governador.

“Qualquer ação violenta contra as famílias pobres que lutam pela terra é de responsabilidade do governador Romeu Zema, que incita o ódio e a violência no campo com falas inflamadas e irresponsáveis, criminalizando nossas famílias”, afirmou a direção do MST-MG.

Em Pernambuco, a direção do movimento afirma que a ação na usina evita que o terreno seja vendido pela massa falida da empresa. O local já tem dez acampamentos e a intenção é destinar para a reforma agrária toda a área da antiga empresa.

Em abril, o MST intensifica não só invasões, mas bloqueios de rodovias, protestos, mutirões de cadastramento de famílias e outras ações -o que deve se repetir em 2025.

O mês foi escolhido porque, em 17 de abril de 1996, ocorreu o massacre de Eldorado do Carajás, no Pará, quando a Polícia Militar assassinou 19 militantes do movimento e deixou outros 69 feridos durante um protesto -até hoje, apenas 2 policiais, de 155 envolvidos, acabaram condenados.

Para 2025, o lema escolhido foi “ocupar para o Brasil alimentar”. Há previsão de ações nos 26 estados e no Distrito Federal, com foco em terras propícias à produção de alimentos.

As manifestações acontecem em meio ao descontentamento do movimento com o terceiro mandato de Lula e com o andamento da reforma agrária.

Segundo o MST, quando o petista assumiu a Presidência, cerca de 65 mil famílias do movimento cadastradas pelo Incra aguardavam em acampamentos para serem assentadas.

“O andamento está muito aquém da demanda acumulada nos últimos dez anos, desde o impeachment da [ex-presidente] Dilma Rousseff, passando pelo governo Temer e pelo período de Bolsonaro”, diz José Damasceno, da direção nacional do MST.

No terceiro ano do mandato, esse passivo cresceu, segundo ele, para cerca de 100 mil. Se considerados outros grupos que atuam na causa, a projeção subiria para 140 mil.

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