Taxação dos EUA pode prejudicar cooperação climática, diz Marina Silva

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A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, criticou, nesta quinta-feira (3), o governo dos Estados Unidos por elevar o valor das tarifas de importação cobradas de produtos vendidos por parceiros comerciais, incluindo o Brasil.

Para a ministra, o “tarifaço” de ao menos 10% para produtos estrangeiros que o presidente americano Donald Trump anunciou ontem (2) pode desencadear uma guerra tarifária, com países que fazem negócio com os Estados Unidos adotando medidas parecidas.

Ela avalia que, além de fomentar um clima de desconfiança entre as nações, o “rompimento com o multilateralismo” representa uma ameaça à cooperação internacional necessária para conter as mudanças climáticas globais.

“Esse rompimento com o multilateralismo, essas visões unilaterais, são muito negativas e prejudicam muito a cooperação e a ação climática conjunta. Isso esgarça as relações, afasta a cooperação, mina as relações de confiança entre os povos. E o nosso papel é o de reforçar a solidariedade, o apoio, a cooperação e a livre iniciativa no mercado”, disse a ministra, sem citar nominalmente os Estados Unidos e seu presidente.

Esta semana, o próprio Congresso Nacional brasileiro aprovou o projeto que instituiu a chamada Lei da Reciprocidade Comercial, autorizando o governo brasileiro a adotar medidas comerciais contra países e blocos que imponham barreiras aos produtos do Brasil no mercado global.

“Essa guerra tarifária não é boa para ninguém”, declarou a ministra durante entrevista coletiva concedida logo após o término da 11ª reunião dos ministros de Meio Ambiente do Brics, bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além de Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes, Etiópia, Indonésia e Irã. O evento aconteceu hoje, em Brasília.

“O país que mais está defendendo este tipo de protecionismo foi um dos que [no passado] mais estimularam que a gente [o mundo] deveria ter uma livre iniciativa, a liberdade de ação no mercado”, comentou Marina ao estabelecer paralelo com conflitos geopolíticos armados, como a invasão da Ucrânia pela Rússia e a disputa entre israelenses e palestinos, no Oriente Médio.

Segundo Marina Silva, a desconfiança cria situações de insegurança, o que faz com que os países comecem a deslocar recursos que poderiam ser usados no financiamento do combate às mudanças climáticas e da proteção da biodiversidade para investimentos em mais segurança.

“Nesse momento, na minha opinião, em lugar de estarmos fazendo guerra uns com os outros, seja guerra bélica ou tarifária, deveríamos estar guerreando contra a pobreza, a mudança do clima, a desertificação e a perda de biodiversidade. É isso que está ameaçando nossas vidas e nossos sistemas produtivos, sejam eles industriais ou alimentares”, concluiu a ministra.

*Com informações da Agência Brasil

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