Professor bebeu urina por 5 dias até ser resgatado de escombros do terremoto em Mianmar

minamar professor

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Um professor de 47 anos foi encontrado nos escombros de um hotel em Sagaing, na quarta-feira (2), cinco dias após o terremoto de magnitude 7,7 atingir Mianmar. Ele conta que sobreviveu bebendo a própria urina.

“Meu corpo estava queimando e tudo o que eu precisava era de água”, disse Tin Maung Htwe com a voz fraca. Ele falou com jornalistas enquanto se recuperava de desidratação extrema usando tubo de oxigênio e dois acessos intravenosos. “Como não havia água, tive que repor os líquidos com os fluidos que saíam de meu corpo.”

Htwe afirmou que estava na cidade para um curso de formação quando o tremor abalou a região. Ele se abrigou debaixo da cama. “O hotel inteiro desabou. Tudo o que eu podia fazer era gritar ‘me salvem’.”

Segundo ele, os cinco dias sob os escombros foram “como se estivesse no inferno.” “Agora posso fazer o que quiser”, disse ele.

Após ser levado ao hospital, Htwe, ainda fraco, fez um sinal de positivo para sua irmã e expressou gratidão por estar vivo. Afirmou que gostaria de voltar a dar aulas, já que agora é diretor de escola. Mas o resgate o fez pensar sobre uma nova ocupação. “Estou pensando em me tornar um monge budista.”

A extensão dos danos em Sagaing foi muito maior do que na vizinha Mandalay, a segunda principal cidade do país -80% dos edifícios foram destruídos parcial ou totalmente.

O número de pessoas mortas no terremoto superou a marca de 3.000 em Mianmar, segundo o balanço atualizado divulgado nesta quinta-feira (3) pela junta militar. O porta-voz Zaw Min Tun falou em 3.085 mortos, 341 desaparecidos e 4.715 feridos.

Tun anunciou que o país recebeu quase mil toneladas de material de emergência e equipamentos de resgate de 17 nações. “Prosseguimos com as operações de busca e resgate. Expressamos nossa gratidão à comunidade internacional e às equipes médicas por seu trabalho incansável.”

O chefe da junta militar de Mianmar, Min Aung Hlaing, isolado por grande parte da comunidade internacional, chegou a Bancoc nesta quinta para uma cúpula regional de sete países. A Tailândia também foi atingida pelo tremor, e lá ao menos 19 pessoas morreram.

Desde o golpe militar de 2021 contra o governo civil que era apoiado pela vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, os países do Sudeste Asiático não convidam líderes mianmarenses para essas reuniões.

Na quarta, a junta militar anunciou um cessar-fogo temporário dos ataques contra grupos rebeldes para concentrar os esforços na entrega de ajuda. O regime vinha sendo criticado por manter a ofensiva militar contra facções em meio à crise humanitária.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.