Governo Lula documenta 49 locais de tortura e repressão na ditadura militar

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DANIELLE BRANT
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O Ministério dos Direitos Humanos lançou uma publicação que mapeou 49 lugares usados para tortura e repressão política durante a ditadura militar, em iniciativa divulgada na semana em que o golpe de 1964 completa 61 anos.

O livro “Lugares de Memória da Ditadura Militar” documentou espaços que foram palco de torturas de manifestantes contrários à ditadura e de resistência de militantes. A obra faz parte da seção Memória e Verdade do Observatório Nacional dos Direitos Humanos, plataforma que reúne indicadores sobre direitos humanos no país.

São 17 locais no Sudeste, 15 no Nordeste, 7 no Sul, 6 no Norte e 4 no Centro-Oeste. São Paulo (7), Pernambuco (6) e Rio de Janeiro (5) concentram a maior parte dos espaços mapeados, que incluem quartéis, cemitérios, prisões, hospitais, parques e universidades.

Entre esses locais estão o Dops (Departamento de Ordem Política e Social), em São Paulo (SP), que abrigou um dos principais órgãos de repressão do regime militar. Hoje, o espaço virou o Memorial da Resistência, dedicado à preservação da memória.

Há ainda a Casa da Morte, em Petrópolis (RJ), que funcionou na primeira metade dos anos 1970 como centro clandestino de tortura capitaneado pelo Centro de Informações do Exército. Teriam passado pelo local cerca de 20 presos políticos, dos quais apenas a ex-dirigente da VAR-Palmares Inês Etienne Romeu conseguiu sair com vida. O local vai virar um memorial dedicado à preservação da memória e à valorização da democracia, segundo o Ministério dos Direitos Humanos.

Em Recife (PE), o espaço histórico mapeado foi a antiga sede do Dops, um dos principais centros de repressão no Nordeste. Lá, opositores da ditadura eram interrogados e torturados.

Já o rio Paraná, em Foz do Iguaçu (PR), registrou desaparecimentos forçados, transferências clandestinas de presos, inclusive no âmbito da Operação Condor, aliança entre ditaduras de países sul-americanos nos anos 1970 que buscava a troca de informação de inteligência e perseguição de inimigos.

Paula Franco, coordenadora-geral de Políticas de Memória e Verdade do ministério, destaca a importância desses espaços para a construção da memória coletiva e para o fortalecimento da democracia. “São locais que guardam memórias sensíveis, de feitos traumáticos e violentos, mas também de experiências resistentes”, diz.

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