Professores do CED 4 do Guará receberão capacitação contra o racismo

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Por Camila Coimbra

A Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (Sejus) iniciará um programa de capacitação para os professores do Centro Educacional 4 do Guará, com foco no combate ao racismo. A medida foi adotada após o afastamento de um docente da unidade, suspeito de ter feito comentários racistas em sala de aula. O caso, denunciado por uma estudante de 14 anos, está sob investigação da Polícia Civil do Distrito Federal.

O CED 4 do Guará será a primeira escola a participar do projeto, que será expandido gradativamente para todas as escolas do Distrito Federal, começando pela rede pública de ensino. Além da capacitação de professores, o programa também envolverá alunos e famílias, promovendo um debate amplo e essencial sobre o combate ao racismo na educação. O cronograma das próximas etapas ainda está em elaboração.

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A Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (Sejus-DF), por meio da Subsecretaria de Direitos Humanos e Igualdade Racial (Subdhir), dará início à implementação do Programa de Letramento Racial no corpo docente da escola, em ciclos de 20 a 25 educadores por vez. O primeiro ciclo terá início na quarta-feira, 9 de abril, e ao final da formação, todos os participantes receberão certificação oficial da Sejus-DF.

A capacitação faz parte do Programa de Letramento Racial da Sejus, que busca fornecer bases teóricas e metodológicas para que educadores compreendam as dinâmicas do racismo e promovam um ensino mais inclusivo. Além de estimular reflexões críticas sobre a história e a cultura afro-brasileira, o programa incentiva a adoção de práticas pedagógicas antirracistas dentro das escolas.

A secretária de Justiça e Cidadania, Marcela Passamani, ressaltou a importância da iniciativa para a construção de uma sociedade mais igualitária. “O combate ao racismo começa pela educação. Precisamos preparar nossos educadores para que possam, com conhecimento e sensibilidade, ensinar sobre igualdade racial e desconstruir estereótipos dentro da sala de aula. Essa é uma transformação que impacta toda a sociedade”, afirmou.

No Distrito Federal, denúncias de racismo podem ser feitas por meio do Disque 100, que funciona 24 horas por dia, de forma anônima e gratuita, ou diretamente na Delegacia Especializada no Atendimento a Crimes de Discriminação Racial, pelo telefone (61) 3207-4242.

Relembre o caso

Em 25 de março de 2025, um incidente de discriminação racial ocorreu no Centro Educacional 4 do Guará, Distrito Federal. Uma aluna negra de 14 anos relatou que, durante uma aula de geografia, o professor afirmou que “não via a hora de trocar de governo, porque era necessário que matasse metade dos pretos do Brasil, porque o preto precisava morrer mesmo”. Profundamente abalada, a estudante chorou em sala.  

A tia da adolescente, Fernanda, dirigiu-se à escola para questionar a direção sobre o ocorrido. Após ouvir outros alunos da turma, a diretora confirmou a veracidade da denúncia. O professor negou ter feito declarações racistas e continuou lecionando normalmente até terça-feira, 25 de março.

Diante da repercussão, a Secretaria de Educação do Distrito Federal determinou o afastamento imediato e preventivo do professor. Em nota, a pasta informou que a Corregedoria instaurou um procedimento para apuração dos fatos e reiterou o compromisso com um ambiente escolar seguro e respeitoso

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