COMO AS FAKE NEWS AMEAÇAM A PAZ, JUSTIÇA E INSTITUIÇÕES

Por Gisele Victor Batista, colunista do Planeta ODS

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desinformação emergiu como um dos maiores riscos globais de curto prazo (Fórum Econômico Mundial, 2025). Ao lado da crise climática, esse fenômeno não apenas alimenta a polarização social, mas também ameaça a governança democrática e a estabilidade institucional em todo o mundo.

Mas o que isso tem a ver com a Agenda 2030? A resposta é assertiva: Tudo.

O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 16, que visa promover paz, justiça e instituições eficazes, é diretamente impactado pela desinformação. Na era da pós-verdade (1), as fake news moldam narrativas e manipulam opiniões públicas, corroendo a confiança nas instituições e dividindo a sociedade. Isso prejudica o progresso rumo a sociedades mais justas e inclusivas, minando a coesão social e a transparência democrática.

O termo “pós-verdade” foi usado pela primeira vez em 1992 por Steve Tesich, sugerindo que a sociedade escolheu ignorar fatos objetivos em favor de crenças pessoais. Em 2016, o Oxford Dictionaries o elegeu como “Palavra do Ano”, definindo-o como um cenário em que “fatos objetivos têm menos influência na opinião pública do que apelos emocionais”.

Esse contexto ressalta a importância do ODS 16 em promover paz, justiça e instituições eficazes, uma vez que transparência e acesso à informação confiável são essenciais para fortalecer a confiança social e garantir a participação democrática em um ambiente de informação manipulada.

ENTENDENDO O ODS 16: PAZ, JUSTIÇA E INSTITUIÇÕES EFICAZES

ODS 16 busca “promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis”. Esse objetivo é fundamental para garantir governança transparente e participação cidadã na construção de políticas públicas. Entre as metas principais do ODS 16, destacam-se:

– 16.3: Promover o estado de direito e garantir igualdade de acesso à justiça.

– 16.6: Desenvolver instituições eficazes, responsáveis e transparentes.

– 16.10: Assegurar o acesso público à informação e proteger as liberdades fundamentais.

No entanto, desinformação desafia diretamente o cumprimento dessas metas, distorcendo fatos, polarizando sociedades e minando a confiança pública nas instituições democráticas.

DESINFORMAÇÃO: O MAIOR RISCO GLOBAL DE CURTO PRAZO

Segundo o Relatório de Riscos Globais 2025, publicado pelo Fórum Econômico Mundial, a desinformação lidera a lista de riscos globais de curto prazo, à frente de conflitos armados e eventos climáticos extremos. O impacto desse fenômeno é amplificado pela inteligência artificial generativa (GenAI), que permite a criação e disseminação de conteúdos falsos em escala global. Esse cenário é particularmente preocupante para o ODS 16, já que:

– Desestabiliza processos democráticos, afetando a integridade de eleições e consultas públicas.

– Polariza sociedades, exacerbando conflitos sociais e políticos.

– Desacredita mídias e fontes oficiais, dificultando o acesso à informação confiável (Meta 16.10).

ODS 16.10: ACESSO À INFORMAÇÃO E FAKE NEWS

A proliferação de notícias falsas tem um impacto profundo na sociedade e na governança, afetando não apenas a qualidade da informação consumida pelo público, mas também a dinâmica política e social. Um dos principais efeitos é a dificuldade na alfabetização midiática, uma vez que a enxurrada de informações enganosas torna cada vez mais complexo distinguir fatos de opiniões. Isso não apenas confunde o público, mas também enfraquece a capacidade crítica dos cidadãos, que se tornam mais vulneráveis à manipulação informativa.

Além disso, as fake news amplificam teorias da conspiração e discursos de ódio, exacerbando a polarização social. Narrativas distorcidas e conteúdos tendenciosos dividem grupos sociais, gerando conflitos ideológicos e alimentando um clima de desconfiança mútua. Essa polarização não apenas ameaça a coesão social, mas também dificulta o diálogo democrático e a construção de consensos, essenciais para a governança inclusiva e participativa.

Outro impacto significativo é a influência sobre as decisões políticas. Ao distorcer a percepção da realidade, a desinformação afeta prioridades políticas e estratégias governamentais, prejudicando a formulação de políticas públicas informadas e baseadas em evidências. Isso enfraquece a governança democrática e pode levar à erosão da confiança nas instituições públicas.

DESINFORMAÇÃO E ODS 16: DESAFIOS E PERSPECTIVAS PARA A AGENDA 2030

desinformação representa um dos maiores desafios para o ODS 16, pois afeta todos os aspectos da governança democrática e enfraquece as bases da justiça e da paz social. No curto prazo, ela polariza sociedades, intensifica conflitos ideológicos e desacredita instituições públicas, dificultando a formulação de políticas públicas baseadas em evidências. No longo prazo, a desinformação compromete o desenvolvimento sustentável, alimentando a desconfiança social e erosão da coesão comunitária, colocando em risco a construção de sociedades inclusivas e pacíficas.

Precisamos trabalhar com ética e transparência para fazer do ODS 16 um pilar essencial para proteger a integridade das democracias e fortalecer as instituições em um mundo. Além disso, é necessário capacitar os cidadãos a consumir informações de forma crítica e consciente. Somente através de um esforço coletivo e coordenado será possível mitigar os impactos da desinformação e garantir a eficácia das instituições democráticas, assegurando um futuro mais sustentável.

Precisamos avançar na sustentabilidade, construindo sociedades éticas, justas e pacíficas.

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Fontes de pesquisa:

Instituto Humanitas Unisinos – IHU. A era da pós-verdade. Disponível em: https://www.ihu.unisinos.br/categorias/186-noticias-2017/563940-a-era-da-pos-verdade.

Fórum Econômico Mundial. Global Risks Report 2025. Disponível em: https://www.weforum.org/publications/global-risks-report-2025/

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