Dólar opera estável antes de dados de emprego no Brasil e inflação americana

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O dólar operava perto da estabilidade ante o real nas primeiras negociações desta sexta-feira (28), a caminho de fechar a semana em alta, à medida que os investidores se posicionavam para dados de emprego no Brasil e de inflação nos Estados Unidos.

Às 9h03, a moeda caía 0,01%, a R$ 5,7574 na venda.

Na quinta-feira (27), o dólar fechou em alta de 0,43%, cotado a R$ 5,757, e a Bolsa subiu 0,47%, a 133.148 pontos.

O dia foi pautado por dados de inflação do Brasil e o Relatório de Política Monetária do BC (Banco Central). Na ponta internacional, as novas tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foram destaque.

Os dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para a inflação no Brasil foram divulgados pela manhã. O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) desacelerou a 0,64% em março, após marcar 1,23% em fevereiro.

O novo resultado ficou abaixo da mediana das previsões do mercado financeiro, que era de 0,69%, segundo a agência Bloomberg. No acumulado de 12 meses, porém, o IPCA-15 acelerou a 5,26% até março, após marcar 4,96% até fevereiro. Nesse recorte, a mediana das projeções estava em 5,3%.

“A leitura não altera, por enquanto, a condução da política monetária. Com pelo menos mais uma alta prometida, acreditamos que a dinâmica da atividade e do mercado de trabalho irá ditar o próximo passo do Copom (Comitê de Política Monetária). Por ora, vemos o cenário consistente com mais uma alta de 0,50 ponto percentual em maio”, avalia André Valério, economista sênior do Inter.

O Copom optou por aumentar a Selic em 1 ponto percentual, a 14,25% ao ano, na reunião da semana passada. O próximo encontro, marcado para maio, deve trazer um novo aperto monetário, mas em menor magnitude.

Ao mesmo tempo, o Relatório de Política Monetária do BC trouxe previsões menores para o PIB. Agora, a projeção é que a economia cresça 1,9% em 2025, contra 2,1% da estimativa de dezembro.

Com os dados do IPCA-15 e o relatório do BC, o mercado tem visto a subida de 0,50 ponto como mais provável do que uma de 0,75 ponto, como então precificado por parte dos agentes.

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que a autarquia quer ter liberdade para decidir como conduzirá a política monetária, sem se comprometer com novos apertos para além da reunião de maio.

“Entendemos que o ciclo precisa se estender, mas, devido às incertezas, em menor magnitude. A gente consegue informar um horizonte só até a próxima reunião sobre o que estamos pretendendo fazer, para preservar esse grau de liberdade”, disse em entrevista coletiva.

Já na ponta internacional, os operadores repercutiram o anúncio de tarifas de 25% para automóveis e peças importadas pelos Estados Unidos.

“O que vamos fazer é uma tarifa de 25% para todos os carros que não são fabricados nos Estados Unidos”, disse Trump em um evento no Salão Oval. “Começamos com uma base de 2,5%, que é onde estamos, e vamos para 25%.”

As tarifas entrarão em vigor em 2 de abril, quando Trump prometeu anunciar tarifas recíprocas contra países que considera responsáveis pelo déficit comercial dos EUA. A cobrança das novas tarifas deve começar no dia seguinte.

“Este é o começo do Dia da Libertação na América”, disse ele. “Se você construir seu carro nos Estados Unidos, não haverá tarifa.”

Países asiáticos, europeus e norte-americanos alertaram o governo republicano sobre uma possível retaliação às tarifas -a medida mais agressiva de Trump até o momento. Ações de montadoras, como Toyota, Stellantis e Porsche, caíram em reação ao anúncio.

O tarifaço tem gerado temores nos mercados pelo impacto potencial na economia mundial. O principal receio é que ele aumente a inflação em uma ampla gama de produtos e distorça cadeias de suprimentos globais, especialmente se os países afetados revidarem com mais impostos.

No caso específico dos EUA, há ainda a preocupação de que o tarifaço provoque uma recessão –possibilidade não descartada por Trump e seus assessores econômicos.

Os investidores têm agido ora com cautela, ora com apetite por ativos de maior risco. Isso porque a política tarifária do governo dos EUA tem sido implementada de maneira pouco previsível até aqui, com ameaças e recuos em igual proporção.

“O ambiente continua sendo de bastante incerteza. Os anúncios têm sido feitos de maneira inesperada. Não se sabe até que ponto eles representam um instrumento de negociação ou se serão perenes nos próximos quatro anos de governo Trump”, comenta Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

“Essa insegurança sobre as tarifas e as preocupações sobre uma desaceleração econômica dos Estados Unidos estão mantendo os investidores pessimistas e avessos ao risco.”

Por ora, Trump não deu sinais de que irá recuar nas tarifas ao setor automotivo. Na segunda, porém, abrandou o tom sobre a reciprocidade tarifária ao dizer que poderia conceder descontos a “muitos países”.

Ele também anunciou nesta semana taxas de 25% sobre importações de qualquer país que comprar petróleo da Venezuela e que tarifas sobre o cobre seriam anunciadas em “algumas semanas”, e não meses.

Em relação ao Brasil, reportagem da Folha aponta que, caso o país esteja na lista de afetados pela reciprocidade tarifária, as taxas incidirão sobre todos os produtos importados pelos Estados Unidos, sem exceções.

Uma autoridade da Casa Branca disse que ainda não foi definido se o Brasil será ou não atingido pela política. Mas a abordagem, se o país entrar no grupo de tarifados, será linear (countrywide) e valerá para toda a pauta exportadora brasileira aos EUA, segundo essa mesma fonte.

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