SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A deputada dos Estados Unidos Marjorie Taylor Greene atacou uma jornalista da rede britânica Sky News, sugerindo a ela que voltasse ao seu país, depois de ser questionada sobre o vazamento de segredos militares americanos, caso considerado um escândalo no governo de Donald Trump.
“Por que você não volta para o seu país?”, perguntou Marjorie à repórter. “Temos um grande problema de migração e você deveria se importar com as suas próprias fronteiras. Você se importa com as pessoas do seu país? E com as mulheres que são estupradas por migrantes?”
A jornalista britânica Martha Kelner, correspondente da Sky News nos EUA, havia perguntado se os soldados americanos estão em risco, uma vez que informações sigilosas sobre ataques das forças americanas contra rebeldes houthis, no Iêmen, vazaram ao editor-chefe da revista The Atlantic, Jeffrey Goldberg.
A pergunta irritou Marjorie, do Partido Republicano. Ela afirmou não se importar com o que chamou de notícias falsas e disse que não “dava a mínima” para a opinião da repórter. Também ignorou o questionamento sobre o caso, que vem suscitando dúvidas sobre a segurança das informações compartilhadas entre autoridades americanas.
Em seguida, em uma entrevista coletiva, um repórter americano pediu à deputada que respondesse aos questionamentos feitos pela jornalista britânica. Mas a deputada novamente se recusou a responder, dizendo que não se importa com o público de Martha.
Ao comentar o episódio em um podcast da Sky News, Martha Kelner disse ter sido “insultada de uma forma agressiva”. Afirmou ainda que casos semelhantes já tinham acontecido antes.
Não é a primeira vez que a deputada republicana ataca jornalistas. Em 2022, ela já havia dito a outra repórter britânica, Siobhan Kennedy, também para “voltar ao seu país” depois de ser questionada sobre o controle de armas nos EUA.
Marjorie Greene representou a chegada ao Congresso americano do grupo conspiracionista de extrema direita QAnon, que, sem base em fatos, diz que existe uma conspiração mundial envolvendo artistas e políticos pelo tráfico sexual de crianças.
Em 2022, a deputada teve sua conta no Twitter suspensa depois de violar a política de desinformação sobre Covid-19 da rede social. Antes, em 2021, foi punida pelo Congresso americano e removida de duas comissões às quais tinha sido indicada por ter defendido teorias de conspiração, apoiado atos de violência contra congressistas, entre outras ações controversas.
O vazamento dos segredos militares veio à tona na segunda (24). Em reportagem publicada na revista The Atlantic, o editor-chefe, Jeffrey Goldberg, disse ter sido incluído em um grupo do aplicativo de mensagens Signal, aparentemente de forma acidental, no qual várias autoridades americanas compartilhavam segredos militares. O vice-presidente, J. D. Vance, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, estavam entre os participantes do grupo.