Inflação subjacente traz uma preocupação significativa, afirma diretor do BC

O diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central (BC), Paulo Picchetti, abriu nesta quarta-feira, 23, uma apresentação em Washington destacando que a inflação, embora tenha desacelerado, mostra núcleos que se acomodaram acima da meta perseguida pela instituição, o que é motivo de preocupação significativa.

Ao descrever o cenário inflacionário atual, que levou o BC a iniciar o ciclo de alta dos juros, o diretor citou as expectativas acima da meta, com descolamento em relação ao objetivo nas projeções do próprio BC ao horizonte relevante da política monetária, e o hiato do produto agora no terreno positivo – ou seja, a economia crescendo acima do potencial.

Picchetti apontou ainda a preocupação com o mercado de trabalho apertado durante evento com investidores promovido pela XP Investimentos em paralelo às reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington.

Segundo o diretor do BC, os preços industriais, que ajudaram a inflação nos últimos anos, reverteram esta tendência, com evidências de repasses das cotações de commodities e taxa de câmbio aos preços industriais.

Picchetti observou que as expectativas de inflação para 2025 estão mais perto do teto do que do centro da meta.

Desemprego

O diretor do Banco Central disse ainda que a queda do desemprego junto com a alta da taxa de participação indicam o fim da ociosidade no mercado de trabalho.

Ele ponderou, no entanto, que ficou difícil estimar qual é a taxa neutra de desemprego, a chamada Nairu ou taxa de pleno emprego, do Brasil.

Conforme Picchetti, o mercado de trabalho aquecido não é um problema para o BC se não levar a um aumento dos preços.

Estadão Conteúdo

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