Os melhores filmes que não estão no Oscar de 2025

Entender que o Oscar nem sempre irá refletir as melhores obras da temporada costuma ser uma boa forma de não se frustrar com os vencedores e/ou indicados. Afinal de contas, existem “ene” fatores levados em consideração para o prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, cuja influência comercial e estadunidense, muitas vezes, limita o horizonte de selecionados. E está tudo bem se Ainda Estou Aqui não vencer nenhuma categoria, visto que outros filmes tão bons quanto nem neste espaço chegaram – e isso diz mais sobre o prêmio do que necessariamente os filmes.

Pensando nisso, selecionei alguns dos melhores filmes da temporada que não estão presentes no Oscar de 2025. Sempre encarei a premiação como uma boa oportunidade para conhecer bons longas e curtas, mas isso não significa que o que não está por lá deixe de ser bom (ou ruim, como queira).

Mas, antes, faço um mea culpa. Alguns filmes que escaparam do meu radar mas que, dada a repercussão em outros festivais e premiações, merecem ser citados: Tudo o Que Imaginamos Como Luz, Babygirl, O Quarto Ao Lado, Como Fazer Milhões Antes Que a Avó Morra, De Volta ao Mar, Pequenas Coisas Como Estas, Bird, Malu, Aqui e A Ordem (algum dia, ainda os verei).

E vamos a lista:

Rivais, dirigido por Luca Guadagnino

O melhor filme de 2024 sequer está no Oscar de 2025 – mas tudo bem, já que está na Prime Video. Dirigido por Luca Guadagnino, diretor conhecido principalmente por Me Chame Pelo Seu Nome, o filme é um grande terreno de criatividade sonora e visual na exploração da tensão sexual entre três personagens, manifestada por meio do esporte.

O longa acompanha Tashi Duncan (Zendaya), atleta prodígio do tênis que se tornou treinadora de Art (Mike Faist) – um campeão que tem acumulado derrotas nos últimos jogos. Como estratégia de redenção, Art se vê diante de uma partida contra Patrick (Josh O’Connor), um tenista fracassado cujo passado é marcado pelo amor e amizade com o casal. Se na quadra o conflito é em dois, fora delas ele funciona em três.

Megalopolis, dirigido por Francis Ford Coppola

Um projeto de décadas de um dos mais influentes diretores norte-americanos da história, responsável por obras como Poderoso Chefão, Megalopolis é resultado de um Francis Ford Coppola inquieto com o rumo não apenas da humanidade como, também, o seu próprio. Reflexo de um cineasta que vê o moderno e o clássico se sobrepondo em uma história tão teatral quanto cinematográfica.

O filme segue Cesar Catilina (Adam Driver), um artista genial a favor de um futuro utópico e idealista, que, frente ao ganancioso prefeito Franklyn Cícero (Giancarlo Esposito), trava uma batalha de ideias e ideais na cidade de Nova Roma. Entre os dois está Julia Cícero (Nathalie Emmanuel), cuja lealdade se divide entre pai e amado na tentativa de decidir qual futuro será o melhor para a humanidade.

Furiosa: Uma Saga Mad Max, dirigido por George Miller

Prelúdio de um dos maiores filmes de ação de todos os tempos, Furiosa: Uma Saga Mad Max é a prova de que um gênero esnobado em premiações pode reunir o que há de mais criativo, no cinema. O filme de George Miller é uma ópera que se vale do impacto de muitas imagens e poucos diálogos para construir uma história de vingança grandiosa.

Situado em um mundo já colapsado, o filme acompanha a jovem Furiosa (Anya Taylor-Joy) – sequestrada do “paraíso” ainda quando criança e criada em uma grande horda de motoqueiros. Vagando pelo deserto condenado, ela se vê em meio ao confronto de dois tiranos que lutam pelo poder. A luta pela sobrevivência, então, passa a andar de mãos dadas com a vingança.

Will e Harper, dirigido por Josh Greenbaum

Uma história de afeto e amor em um momento de reconhecimento de um novo mundo. É sobre isso que fala Will e Harper, um documentário extremamente emocionante sobre a jornada de uma mulher trans ao visitar lugares já conhecidos, mas não por quem ela realmente é, ao lado de alguém que lhe transmite a segurança dessa empreitada.

O documentário acompanha Will Farrell e Harper Steele, ex-colaboradores e amigos íntimos do Saturday Night Live. Contratados na mesma época para integrar a equipe do programa humorístico de maior sucesso dos Estados Unidos, os dois criaram um grande vínculo emocional. Quando Ferrel descobre que sua querida amiga estava se assumindo como uma mulher trans, os dois embarcam em uma viagem pelo país para processar essa nova etapa do relacionamento.

Dahomey, dirigido por Mati Diop

Quando a história dos seus antepassados, apagada por anos de invasão e roubada em décadas de colonização, retorna para o local de origem: o que sobra? Quem pode ter acesso a essa cultura resgatada? É preciso agradecer quem devolveu?

São muitas as questões de ancestralidade e indignação levantadas em Dahomey, documentário dirigido por Mati Diop que acompanha vinte e seis relíquias do Reino do Daomé que deixam Paris para regressar ao país de origem: a atual República do Benim. Saqueados pelas tropas coloniais francesas em 1892, os artefatos voltam a uma nação que se constituiu sem a sua presença. O desafio é entender como lidar com esse sentimento.

Jurado Número 2, dirigido por Clint Eastwood

O que podemos entender enquanto justiça quando a inocência, apesar de verdadeira, não pode ser provada? Devemos assumir as falhas de um sistema que, em detrimento de um inocente, pode acabar punindo outro? Tão clássico quanto a figura que representa, Clint Eastwood levanta todas essas questões em Jurado Número 2.

O longa acompanha um pai de família convocado para ser jurado em um importante julgamento de assassino. Ele se depara com um dilema moral significativo que pode influenciar o veredito do júri, potencialmente condenando ou absolvendo o réu de homicídio.

Motel Destino, dirigido por Karim Ainöuz

Os corredores e quartos de um motel de beira de estrada do litoral cearense se tornam a casa e o refúgio de um jovem que, foragido, está determinado a mudar de vida. Karim Ainöuz faz desses espaços um purgatório em luzes neon, para um homem que precisa lidar com o medo e o desejo.

Motel Destino acompanha Heraldo (Iago Xavier), que passa a trabalhar em um motel para se esconder de uma traficante cearense. Lá ele conhece o casal Elias (Fábio Assunção) e Dayana (Nataly Rocha), cuja relação transita de maneira tênue entre o amor e a opressão.

Menções honrosas para….

  • Longlegs, o terror com Nicolas Cage dirigido por Osgood Perkins;
  • O Dia Que te Conheci, o hilário romance do proletariado dirigido por André Novais Oliveira;
  • Chime, o afiado horror dirigido pelo mestre Kiyoshi Kurosawa;
  • As Três Filhas, o comovente drama de Azazel Jacobs;
  • Sorria 2, o terror pop de Parker Finn mais interessante dos últimos anos;
  • Armadilha, o criativo suspense de M. Night Shyamalan;

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