Casa GUIDO: 61% dos atendidos recebem alta

Um estudo sobre cânceres em crianças e adolescentes foi apresentado à imprensa pela médica oncologista pediátrica, doutora Juliana Dal Ponte Bitencourt, em um ‘café com a imprensa’ realizado pela Casa GUIDO, que acolhe crianças e adolescentes com câncer e suas famílias. Na última quinta-feira (27), Juliana apresentou dados, dificuldades e indicou melhorias referente ao tratamento ofertado no Sul de Santa Catarina (SC). 

Dados epidemiológicos 

De acordo com a doutora, no cenário atual, a taxa de cânceres infantis corresponde a de um a três porcento sobre o total de casos de cânceres registrados no mundo. “Existe uma estimativa de 400 mil novos casos por ano, a nível global, em crianças e adolescentes de 0 a 19 anos”, revelou a profissional. 

No caso do Brasil, para cada 28 mil crianças, uma tem a probabilidade de desenvolver algum tipo de câncer. Anualmente, cerca de 7.930 novos casos são previstos pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA). Trazendo esse panorama para a macrorregião Sul de SC, que compõe aproximadamente uma população de 1.102.000 pessoas, a tendencia é de que 39 a 41 novos casos sejam registrados por ano. Para a Amrec, com cerca de 468 mil habitantes, são estimados 16 casos; na Amesc, com 206.347 habitantes, oito casos e na Amurel, com 386.545 habitantes, 15 casos. 

Diagnóstico precoce e taxa de cura 

“Importante salientar que o câncer infantil não é prevenível como no adulto, porque não depende dos hábitos de vida do paciente”, ressalta Juliana. Ela explicou que a doença crônica identificada em crianças e adolescentes está relacionada a questões genéticas e apontou a necessidade de trabalhar com o diagnóstico precoce para identificar os cânceres nas fases iniciais e, assim, poder iniciar o tratamento. Ela afirmou que isso aumenta as chances de cura do paciente em até 80% nos países desenvolvidos. 

A realidade no Brasil, porém, é distinta, haja vista as dificuldades em conseguir medicamentos essenciais (muitas vezes caros) para o tratamento, a falta de leitos disponíveis para atendimento, além da falta de acesso a centros especializados. “Em países em desenvolvimento, como é o nosso caso, a taxa chega a ser inferior a 50%, muito em razão do diagnóstico tardio”, acrescenta a médica. No caso da Casa GUIDO, a taxa de sobrevivência de pacientes atendidos pela entidade é atualmente de 61%. (De 2010 a 2024, 368 pacientes já passaram pela instituição).

A profissional oncologista pediátrica também salientou que é preciso combater o vazio assistencial e tomar iniciativas para ampliar o serviço com profissionais especializados e melhorar a infraestrutura das unidades de atendimento. “Como eu falei anteriormente, a gente não consegue prevenir o câncer e, por isso, a gente tem que identificar doenças em fases iniciais. A demora na identificação da doença reduz as chances de cura e aumenta muito a mortalidade”, finalizou. 

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