E a Libertadores, nada é mais divertido do que ouvir o choro dos os argentinos

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A classificação do Atletico-MG para a final da Libertadores foi conseguida no jogo de ida, na terça-feira (22), quando goleou o River Plate por 3 x 0, em BH. Mas foi preciso ainda passar pela pressão do Monumental de Nuñez, e o Galo mostrou ontem que é um time maduro e que não “amarela”.

Os jornais argentinos amanheceram às lagrimas. E nada e mais divertido (pelo menos no âmbito da rivalidade do futebol, entenda-se) do que ver “los hermanos llorando”. Reproduzimos a seguir as crônicas dos jornais Olé e Clarin, sobre a eliminação do River Plate para o Atlético.

“Sem gols não há paraíso: River fora da Libertadores”

*Por Nico Berardo, Olé – Milagres tem fim. Como as esperanças e aquele sonho que começou a ser destruído com o 0 a 3 em Belo Horizonte. Uma vontade de disputar a final da Libertadores no Monumental – e vencê-la lá – que, se permanecesse latente, se devia à figura de sua prisão. Para o épico que ele estrelou. Outras vezes. Outras realidades. Outros equipamentos. Outro Rio.

O modelo 2024 não foi feito para tais feitos. Derrotado até o nocaute de Demichelis e reconstruído contra o relógio a partir do esperançoso retorno de Marcelo Gallardo, apenas o realismo mágico do passado deu credibilidade temporária ao desejo de conquistar a Libertadores no presente. Mas, mesmo que tenham orado a ele durante uma semana, a Boneca não é Deus. Ele não podia, como disse depois de seu primeiro jogo no CL contra o Talleres, fazer mágica. E, de fato, ele estava certo.

A memória de Gallardo revigorou a fé. Quase como se fosse uma figura com conotações carismáticas. Mas a realidade eventualmente supera os milagres imaginados. Em sete dias, por enquanto, o Boneco conseguiu marcar a presença do grupo, focando na necessidade. Mas os três gols sofridos foram muito mais difíceis de igualar para um River que está longe do que talvez possa dar no médio prazo, já com alguns ajustes urgentes.

A magnitude da recepção ouvida a quilômetros de distância energizou as pessoas que estavam por perto. Isso me deu arrepios. Marcou contra um time que deveria ter marcado três gols e jogado para marcá-los, mas não conseguiu comemorar nem um. De novo. Como MG havia avançado com altíssimo grau de raciocínio dias antes de arriscar tudo por uma passagem na final.

capas dos jornais olé e clarin, da argentina
As capas dos jornais Olé e Clarin, da Argentina

O River mais uma vez molhou a pólvora e ficou sem a tão sonhada final da Copa Libertadores: o 0 a 0 fez o Atlético Mineiro comemorar no Monumental

Por Maximiliano Uria, Clarin – O que se supunha que aconteceria acabou acontecendo no brilhante, infernal e colossal Monumental: o River teve atitude de sobra, mas faltou ideias e objetivo de vencer o sério Atlético Mineiro (não conseguiu marcar gol em 180 minutos), que ele vai disputar merecidamente a final da Copa Libertadores porque no geral foi o melhor dos dois e porque aproveitou o 3 a 0 no jogo de ida e empatou sem gritar em Núñez.

O River teve atitude, algo que foi criticado no jogo de ida, em Belo Horizonte. Talvez por isso a torcida tenha marcado o campo antes do início. “Ponha mais ovos/mais coração”, ouviu-se no Monumental. E esse grito de guerra foi transferido para os jogadores de futebol, que saíram entusiasmados em busca do heróico. Mas o elenco local continuou carente dos argumentos, aqueles que Marcelo Gallardo alegou dias atrás.

Assim, River impulsionou uma ideia que, logicamente, não parecia polida… O ‘milionário’ foi e foi, empurrando com o sopro infernal de seus fãs… Mais uma vez Miguel Borja mostrou-se errático, desligado, quase apático. Mas o colombiano é assim: compre ou deixe. Teremos que ver o que Gallardo fará com o Beija-flor no próximo ano. Por enquanto, os fãs já começaram a resistir a ele.

Atlético Mineiro? Ele ajustou as peças em relação ao jogo de ida. Milito colocou os mesmos titulares, embora tenha criado um 4-4-2, com Paulinho e Scarpa para auxiliar os atacantes Hulk e Deyverson.

No segundo tempo, o domínio da equipe da casa foi mais acentuado e Everson acabou atuando, bloqueando um mano a mano com Claudio Echeverri, uma cabeçada contra Meza e outro chute de longa distância para Diablito.

Galo conseguiu contra-atacar e Armani fez algumas boas defesas. A trave também salvou os locais após um belo chute de pé esquerdo de Scarpa.

O cartão postal final encontrou o Monumental cantando, alegre na tristeza, aplaudindo a própria dedicação nas arquibancadas. O River não jogará a final que foi considerada ideal em Núñez. Ele vai olhar para ela de fora por todas as coisas ruins que ela fez em Belo Horizonte, onde os jogadores falharam na atitude e onde o treinador falhou muito na abordagem tática e na leitura do jogo. No final, o River se despediu da semifinal sem sequer marcar gol.

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