O relato dos motoristas dos ônibus atacados por uma torcida organizada do Palmeiras

O Fantástico mostra o planejamento do ataque da Mancha Alviverde à Máfia Azul. A reportagem traz a investigação do caso e ouve o relato de quem não tinha nada a ver com a rixa e viveu momentos de terror. O Fantástico deste domingo (5) mostra como a torcida organizada palmeirense Mancha Alviverde planejou o ataque à Máfia Azul, de torcedores do Cruzeiro.
A emboscada ocorreu há uma semana na Via Dutra, rodovia que liga São Paulo e Rio de Janeiro.
A reportagem traz detalhes da investigação e os relatos de dois motoristas de ônibus que não tinham nada a ver com a rixa das torcidas e viveram momentos de terror na Via Dutra, rodovia que liga São Paulo e Rio de Janeiro, há uma semana.
Fabrício e Lucas voltavam de Curitiba para Minas Gerais levando um grupo da Máfia Azul, que tinha ido ao jogo do Cruzeiro contra o Athlético Paranaense.
Eles foram atacados no estado de São Paulo, no município de Mairiporã, pouco depois de cruzar o pedágio da rodovia Fernão Dias.
O crime, segundo a polícia, foi executado por cerca de 150 integrantes da Mancha Alviverde. Imagens mostram o grupo reunido, num local perto da estrada pouco antes do ataque.
Lucas era o motorista de um ônibus que foi incendiado. Ele e os passageiros conseguiram sair antes de o fogo começar.
Fabrício estava em outro ônibus, que não chegou a pegar fogo, mas foi atingido por rojões e ficou destruído. Ele é sócio da empresa que alugou os veículos para os cruzeirenses e nem deveria ter ido trabalhar. Mas, na última hora, a Máfia Azul fretou o segundo ônibus e Fabrício teve que fazer a viagem.
João Victor Miranda estava num dos ônibus da Máfia Azul. Antes de viajar tinha deixado um recado para a mãe, Jaqueline.
João: “Mãe, deixei 100 reais aqui em cima da tv. Eu tô indo pra Curitiba. Devo chegar aqui só no domingo à noite. Fica com Deus.
Mãe – Fica com Deus você também.
Foram as últimas palavras que trocaram. Os criminosos que armaram a emboscada espancaram João Victor, e ele morreu no hospital.
Dezessete torcedores ficaram feridos, dois em estado grave. Os motoristas Fabrício e Lucas escaparam. Mas foi por pouco.
“Tem até um vídeo meu, que os torcedores vieram em mim com barra de ferro para bater, eu lembro até, eu abri, eu estava de uniforme. abri, mostrei o meu uniforme, mandaram encostar. No motorista a gente não quer bater.”
Esse é o capítulo mais recente do histórico de décadas de violência entre torcedores da Mancha Alviverde e da Máfia Azul.
O presidente da Mancha Alviverde, Jorge Luis Sampaio foi espancado. Integrantes da Máfia Azul ainda roubaram um documento dele. Desde então, quando há jogo entre as duas equipes, fazem vídeos provocativos mostrando o RG de Jorge Luís. O ataque do último domingo teria sido uma vingança da Mancha.
Jorge Luís Sampaio passou a ser investigado como mentor da emboscada da semana passada.
A análise dos vídeos do ataque, de câmeras de segurança e de radares rodoviários, ajudou a polícia a identificar outros envolvidos – todos membros da Mancha Alviverde.
A reportagem juntou essas imagens com o mapa da região de Mairiporã e mostra como foi a movimentação dos agressores. A polícia diz que um homem de roupa camuflada é Felipe Matos dos Santos.
A poucos metros dali, o carro que passa pelo radar pertence a Aurélio Andrade de Lima. Outro carro passa por alguns radares na madrugada, no último registro, está numa via próxima ao pedágio e ao local do conflito. Ele está em nome da mulher de Neilo Ferreira e Silva.
Outros 2 homens aparecem em imagens gravadas durante a confusão: Leandro Gomes dos Santos e Henrique Moreira Lelis. Os 5 são ligados ao presidente da torcida organizada, Jorge Luís.
Na sexta-feira, a polícia prendeu Aleksander Tancredi, da Mancha Alviverde, e que segundo a investigação também teria participado do ataque.
Jeovan Patini também está sendo procurado. Os outros seis tiveram o pedido de prisão decretado na quarta-feira. Esses 7 estão foragidos e vão responder por homicídio, organização criminosa, lesão corporal, entre outros crimes.
Já a torcida Mancha Alviverde foi proibida de frequentar os estádios de São Paulo por tempo indeterminado.
Os advogados da torcida e de cinco dos suspeitos disseram em nota que até o momento não tiveram acesso ao inquérito e que isso é uma afronta ao estado de direito. A reportagem não conseguiu contato com as defesas de Neilo Pereira, Jeovan patini e Henrique Moreira Lelis.
Fabrício perdeu o ônibus queimado e que não estava quitado. Ele e Lucas se revezaram ao volante para levar o outro ônibus de volta pra minas. Usaram capacete já que o parabrisa tinha sido destruído.
Lucas voltou ao trabalho ontem. Levou um grupo de romeiros até a catedral de Aparecida. Aproveitou para agradecer.
“Tanto que eu estava por debaixo do uniforme, porque eu só viajo por debaixo do uniforme, uma blusa de Nossa Senhora Aparecida.”
Para a família de João victor, a dor é bem mais profunda. Eles não pedem vingança, mas justiça.
“O que eles fizeram foi muita covardia, muita brutalidade, da forma que foi. Não deram chances pra eles. Eles estavam dormindo no momento do acontecido. Isso que dói. É muito doído. A maneira que eles pegaram ele no ônibus. Eu nem assisti aos vídeos. Só de ver o modo como meu filho foi e voltou, num caixão. Já explicava tudo o que tinha acontecido”
‘Justiça: essa é a palavra. Queremos justiça. E que não fique nas estatística. seja só mais um. Porque não foi o primeiro e se não parar, não vai ser o último.”
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