Mounjaro: O Remédio Para Emagrecer Que Está Bombando no Brasil e o que Você Precisa Saber para Importar com Segurança

O mercado de medicamentos emagrecedores nunca esteve tão em alta no Brasil, principalmente desde o surgimento do Ozempic e Wegovy, que ganharam destaque no tratamento de obesidade e do diabetes tipo 2 nos últimos anos. Agora, o Mounjaro se tornou uma nova aposta da indústria farmacêutica, com princípio ativo tirzepatida, que promete ainda mais eficácia na perda de peso. No entanto, a busca frenética por esses remédios tem gerado uma série de dúvidas (e riscos), especialmente quando se trata de importação. Porque afinal, não é simplesmente comprar lá fora e receber aqui. Existe um protocolo rigoroso que precisa ser seguido, com receitas médicas, transporte adequado e empresas especializadas.

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Como o medicamento ainda não possui autorização da Anvisa para ser comercializado no Brasil, o paciente deve seguir um protocolo seguro para importar dos EUA, evitando riscos à saúde. (Divulgação/Freepik)


André Lima, consultor de acesso da Tegra Pharma e representante de laboratórios farmacêuticos na linha de injetáveis estéreis, explica que o Mounjaro, assim como o Ozempic e o Wegovy, é um medicamento que age no controle da diabetes tipo 2, mas ganhou popularidade pelo seu efeito colateral: o emagrecimento. “O uso de medicamentos como o Ozempic e o Mounjaro fora da bula indicada para diabete tipo 2, sem diagnóstico de diabetes, é considerado ‘off label’. Pode ser traduzido como ‘fora da indicação’. A prática consiste em prescrever um medicamento para uso diferente daquele descritos na bula. A prescrição fica por conta e risco do médico, que tem responsabilidade na condução do tratamento. Portanto, é necessária uma bateria de exames para saber se o paciente está apto a uma prescrição assim”, explica.

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André Lima explica os protocolos seguros para importação de medicamentos emagrecedores como o Mounjaro. (Divulgação)

O que é o Mounjaro e como ele funciona?
O Mounjaro foi desenvolvido pela farmacêutica americana Eli Lilly, contém o princípio ativo tirzepatida, que age como agonista dos hormônios GLP-1 e GIP. Enquanto o GLP-1 regula a saciedade e o apetite, o GIP acelera a queima de gordura e melhora o metabolismo da glicose. Essa dupla ação explica sua eficácia superior em comparação com outros medicamentos, como o Ozempic e o Wegovy.


O Mounjaro ainda não possui autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para comercialização no Brasil, o que significa que sua aquisição deve ser feita somente por meio de importação. Esse processo exige cuidados específicos, como a intermediação de empresas especializadas, a correta documentação e o transporte adequado.

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Transporte inadequado e compras no mercado ilegal comprometem a qualidade dos remédios emagrecedores importados e podem ser um risco para a saúde. (Divulgação/Freepik)


“A Anvisa autorizou o uso do Mounjaro no Brasil em setembro de 2023, sob a responsabilidade médica através da prescrição em receita branca comum, o que acontece somente através da importação. Não é permitido ter estoque de Moujaro no Brasil”, relata Lima.

O protocolo de importação: como funciona?
A importação do Mounjaro não é tão simples e o processo começa com a prescrição médica. O médico deve indicar uma empresa intermediária idônea para realizar a compra nos Estados Unidos. A comercialização direta por clínicas médicas não é permitida. “A clínica não pode ser a intermediadora. O ramo de atividade econômica para importação do medicamento tem que ser: Atividade de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, exceto imobiliários”, explica Lima.


Além da prescrição médica, e o paciente deve apresentar documentos como CPF, RG e comprovante de endereço. Juntamente a isso, o transporte do Mounjaro deve seguir normas sanitárias e ser feito sob refrigeração constante para preservar sua eficácia. “O medicamento deve chegar resfriado, dentro de uma caixa de isopor com gelo artificial para manter a temperatura fria. A transportadora fica responsável pela troca deste gelo até a chegada na casa do paciente. Deve seguir para a geladeira assim que recebido. O transporte inadequado pode inutilizar o produto”, detalha o especialista.

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O THCV vem sendo apresentado como alternativa natural e mais acessível para auxiliar no controle do apetite e emagrecimento. (Divulgação/Freepik)


O pagamento pelo medicamento é realizado diretamente para a empresa intermediadora, que se responsabiliza pela compra com o distribuidor dos EUA e pela emissão de invoice (nota fiscal estadunidense). Após isso, a compra é colocada em transportadora, que comunicará cada etapa de transporte, desde a chegada no aeroporto de Guarulhos, liberação da Anvisa, e entrega diretamente na casa do paciente. Todo o processo pode levar de 15 a 30 dias úteis, dependendo da localidade.

Os riscos do mercado ilegal de emagrecedores
Recentemente, a Receita Federal tem intensificado a fiscalização sobre a entrada irregular do Mounjaro no país. Em janeiro deste ano, um passageiro foi flagrado no Aeroporto de Fortaleza tentando entrar no Brasil com dezenas de canetas do medicamento escondidas nas meias e na cueca. Essa forma de transporte não apenas configura crime de descaminho, mas também compromete a segurança do paciente, uma vez que o remédio perde suas propriedades se não for armazenado corretamente.


O crescimento da busca por medicamentos para emagrecimento tem impulsionado o mercado de fármacos como a tirzepatida. Mas especialistas alertam que o uso desses remédios deve ser feito com acompanhamento médico e dentro das regulamentações sanitárias. André Lima reforça que a importação de versões manipuladas do Mounjaro também é arriscada. “Tirzepatida manipulada não é segura! As que aparecem no mercado não são feitas com a mesma tecnologia, nem com os mesmos princípios ativos, e muito menos entregam os mesmos resultados. Não comprem gato por lebre”, alerta.

Efeitos colaterais e uma possível alternativa
Assim como todo medicamento, o Mounjaro pode causar efeitos colaterais. Os mais comuns (entre 1% a 10% dos usuários) incluem dor abdominal, vômitos, indigestão, refluxo e fadiga. Em alguns casos, há risco de hipoglicemia, especialmente quando usado em conjunto com outros antidiabéticos. Por isso, o acompanhamento médico é essencial do início ao fim do tratamento.


Para quem busca uma alternativa mais acessível e com menos riscos, o THCV (Tetrahidrocanabivarina), um fitocanabinoide derivado da cannabis, tem ganhado espaço. “O THCV auxilia na supressão do apetite, atuando como coadjuvante no tratamento da obesidade e de distúrbios metabólicos”, explica Lima. Embora não tenha o mesmo efeito rápido do Mounjaro, o THCV é uma opção mais barata e com benefícios adicionais, como a neuroproteção.


A importação de medicamentos exige atenção e responsabilidade. Com a alta procura por produtos como Mounjaro, casos de falsificações e transporte inadequado têm se tornado mais frequentes. Portanto, antes de iniciar qualquer tratamento, é fundamental estar bem informado e seguir as diretrizes recomendadas pelos órgãos reguladores.

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