Padilha prometeu diminuir fila do SUS, mas não deixou marca forte como secretário de saúde em SP

ANGELA BOLDRINI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

A gestão do atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha, como secretário municipal de Saúde de São Paulo não deixou uma grande marca. Ele chefiou a pasta entre agosto de 2015 e dezembro de 2016, durante o mandato de Fernando Haddad (PT) na Prefeitura.

Padilha chega ao Ministério da Saúde para tentar debelar crises sanitárias, incluindo a de dengue, e tentar emplacar uma marca forte para a gestão Lula (PT). Ele assume a pasta após a demissão da socióloga Nísia Trindade.

A gestão dela vinha sendo alvo de queixas de integrantes do Congresso, do Planalto e do próprio presidente, que chegou a fazer cobranças pela falta de uma marca.

Essa é a segunda vez que Padilha ocupa o posto, tendo sido ministro do governo Dilma entre 2011 e 2014.

Na gestão municipal, o petista também assumiu no meio do mandato após a demissão de um secretário cuja performance vinha sendo considerada insatisfatória por Haddad. A coluna Painel, da Folha, noticiou em 2015 que o prefeito havia demitido José de Felippi Jr. da pasta por considerá-la “a pior área do governo”.

Padilha assumiu prometendo diminuir as filas na rede pública, e chegou a afirmar que prepararia São Paulo para “ser a primeira na implantação do Mais Especialidades”. O programa, uma promessa de longa data das gestões petistas, foi lançado finalmente em 2024 sob o nome “Mais Acesso a Especialistas”, mais de 10 anos após ser anunciado por Dilma Rousseff durante a campanha de 2014.

O projeto, que ainda ganha tração, promete encurtar o tempo para a realização de consultas e exames especializados nas áreas de oncologia, cardiologia, oftalmologia, otorrinolaringologia e ortopedia. Ele é uma das principais apostas de Lula para a marca da gestão.

Para Mário Scheffer, professor do departamento de medicina preventiva da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), Padilha teve como mérito na gestão municipal ampliar a atenção básica em saúde, mas não conseguiu diminuir as filas e aumentar o acesso a especialistas em São Paulo.

Segundo dados obtidos pela TV Globo, a fila de exames na rede pública tinha ao menos 445 mil pessoas em 2023.

Apesar disso, Scheffer diz que a gestão municipal foi positiva, e vê com bons olhos que o ministro tenha experiência como secretário. “Não vai haver êxito nesse programa de especialidades sem uma grande conversa com os municípios e também o setor privado”, diz Scheffer. “Ele vai ter que sentar muito com os secretários e ele já esteve nesse papel, sabe quais as atribuições e limitações.”

A professora do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (Iesc) da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Ligia Bahia afirma que Padilha “ensaiou a questão das filas do SUS em São Paulo e alguns convênios privados, mas não conseguiu”.

Bahia, no entanto, ressalta que o médico teve mais sucesso em implementação de políticas no governo federal, onde sua primeira passagem foi marcada pelo lançamento do Mais Médicos.

A professora ressalta o perfil político de Padilha. “Ele é um gestor de saúde que é político, deputado federal, um quadro partidário”, diz ela. “Isso significa que ele precisa de luz, de público, então isso deve impactar as políticas que devem ser priorizadas.”

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