Integrantes de bloco do interior de MG voltam a usar blackface

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ARTUR BÚRIGO
BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS)

Integrantes do bloco de carnaval Domésticas de Luxo, um dos mais tradicionais de Juiz de Fora (MG), desfilaram no último sábado (22) com o rosto e o corpo pintados de preto, prática que ganhou o nome de blackface e é considerada racista.

O bloco foi criado na cidade da Zona da Mata de Minas Gerais em 1958, inspirado no Domésticas de Lourdes, de Belo Horizonte.

Homens que integram o bloco costumavam se fantasiar de mulher com uniforme de doméstica, pintar as caras de preto e usar uma malha preta sob a fantasia.

Desde 2019, após reuniões de organizadores do bloco com a subseção de Juiz de Fora da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e movimentos sociais da cidade, o cortejo se comprometeu a abolir a prática de blackface. Desde aquele ano, os membros vinham pintando o rosto com as cores preto e branco.

No último fim de semana, porém, integrantes do bloco voltaram a ser vistos com blackface. Procurados por ligações e mensagens de texto, os organizadores do Bloco das Domésticas não retornaram às tentativas de contato da reportagem.

Em reação ao desfile deste ano, a vereadora Laiz Perrut (PT) protocolou um projeto de lei para proibir o financiamento público a eventos culturais que incentivam práticas discriminatórias.

“A gente achou que precisava de uma medida mais efetiva, além de uma nota de repúdio, contra o bloco que fez isso [blackface]. Para proibir que se repita, temos que vedar o financiamento e qualquer outra forma de apoio para que aconteça na nossa cidade”, disse a vereadora.

Alexandre Atílio, presidente da OAB local, disse que as reuniões não representaram um acordo formal da ordem com os organizadores do bloco, mas indicou que o conselho municipal, do qual a entidade faz parte, deve apresentar uma notícia-crime às autoridades competentes.

A Prefeitura de Juiz de Fora publicou uma nota de repúdio em suas redes sociais na última terça-feira (25).

“Em desacordo com as determinações dos anos anteriores, tivemos o lamentável retorno do ‘blackface’ – prática racista que já deveria ter sido banida de nossa festa- por um tradicional bloco da cidade”. A gestão municipal ainda afirmou que “tais práticas não serão mais toleradas na programação oficial do Carnaval”.

Procurada para responder se a organização do bloco contou com financiamento público ou se iria tomar alguma providência contra os organizadores do bloco, a prefeitura não respondeu.

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